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domingo, 21 de outubro de 2012

Encontros da Imagem 2012


A edição de 2012 dos Encontros da Imagem de Braga é uma celebração ainda maior da fotografia. Talvez por ser a vigésima segunda edição ou talvez pela maturidade dos Vinte e Cinco anos do certame, mantendo uma marca de qualidade impar na fotografia ibérica. Vê-se festivais a nascer um pouco por todo o lado, mesmo ligados à fotografia, porque de música e de cinema, esses então nem se fala...

Ainda sob o comando de Rui Prata, a edição deste ano estava inserida na programação da Capital Europeia da Juventude. E claro está a temática tinha de envolver a juventude e foi sob a denominação de "What Future" que se juntaram alguns artistas para uma mega exposição no Mosteiro de Tibães e algumas "solo" que estavam espalhadas como habitualmente em alguns locais carismáticos de Braga.


Monika Merva - The City of Children
Monika Merva - The City of Children

Começar a visita pelo Museu da Imagem é quase imperativo. Talvez pela localização, este espaço inteiramente dedicado à fotografia ao longo do ano é um local mais do que de referencia à arte fotográfica. Se em anos anteriores não saí daqui satisfeito com os trabalhos expostos este ano, foi exactamente o oposto. Nas paredes estava o trabalho de Monika Merva, um portfolio de imagens sob o titulo "The City of Children". Conta a história de Karloyl Istvan Gyermekozpont, um alojamento para crianças necessitadas na Hungria. O envolvimento e a longa jornada de trabalho, já que a pesquisa e o desenvolvimento do portfolio durou mais de seis anos, mostra uma maturidade no registo. Não são meras fotografias, mas sim, fotografias de sentimento marcante. Onde tudo faz sentido, e a cada sala que se percorre a vontade é crescente no interesse e impacto das imagens.


Alfredo Cunha - Forever Young

O Alfredo Cunha é um SENHOR da fotografia. A exposição patente no museu D.Diogo de Sousa tem imagens boas como seria de esperar, mas falta alguma coisa. Ritmo, talvez? Apesar de a maioria das imagens serem tiradas no Festival Paredes de Coura... Quando me dei conta de tantos trocadilhos... Uma estrutura circular fazia mais sentido à exposição, mas isso talvez pelas características no espaço não desse mesmo para outra coisa. 


Jorge Miguel Gonçalves - Mó

O portfolio do Jorge Miguel Gonçalves estava na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva. Um espaço singular para acolher as exposições que ficam meio perdidas entre o bar e as mesas do mesmo... As imagens da aldeia de Mó estavam lá, a transpirar o que de "Mó" saí... Uma aldeia desertificada da região centro do país. É isso que transpira o registo singular do Jorge. Arrisco-me a dizer que faz jus à maioria das aldeias do interior. Facilmente "vemos" o Portugal assim... 

 
David Creedon - Behind Open Doors

Uma coisa certa: Exposição alternativa = Pedro Remy (ponto e virgula), imagens que nos fazem pensar = Pedro Remy. É subjectivo tudo e qualquer coisa quando se fala em arte, mas que normalmente este espaço acolhe boas exposições isso é incortornavél. Este ano o espaço estava ocupado por David Creedon, com o portfolio "Behind Open Doors". Um registo realizado ao longo de seis semanas em Havana que representa um pouco da "família" e a sua gênese com as famílias ocidentais.

 
Borderlines

Borderlines - projecto que reuniu doze jovens de quatro países no limite geográfico da Europa. Como linha limite ou linha de fronteira, a exposição/ensaio, destes artistas, que tentam representar os limites de alguns conceitos para além dos limites geográficos. Um ensaio, um desafio. Daqui coisas que continuo a não entender de alguns personagens e outros novos que mostram aquilo a que vieram. Realço o portfolio do Reinis Hofmanis sobre o território e sobre a fronteira ou fronteiras, pelas belíssimas imagens...

Antes de falar da "cereja no topo do bolo", como os próprios curadores chamam à exposição do mosteiro de Tibães umas pequenas notas.
1. No dia que me desloquei a Braga, o acesso ao Museu Nogueira da Silva estava interdito. Obras na zona envolvente bloqueavam por completo o acesso a tal local. 
2. Não vou comentar a exposição do David Fonseca, se tivesse tido oportunidade de a ver uma vez mais, talvez já conseguisse falar....
3. A exposição do Braga Parque falhou-nos mais uma vez... Isto porque o Braga Parque já fica fora de mão a quem se desloca de comboio, e estar ainda a pagar mais táxis até lá... (ui ui). Isto para nem falar que existem exposições dos Encontros de Imagem em Guimarães ao mesmo tempo... 


NT80 - colectivo [KAMERAPHOTO]
Valter Vinagre - Queremos

Vamos então de viagem até Tibães, esse fantástico Mosteiro, que se localiza já fora da urbe de Braga, mas que normalmente justifica o dinheiro que se gasta no táxi até lá... 
A primeira exposição era do colectivo [KAMERAPHOTO] por isso a qualidade à partida estava garantida, e foi o caso. Mais uma vez no montagem fantástica os trabalhos tinham um espaço ainda mais acolhedor que no ano passado, ou quiça um reconhecimento ainda maior, já que Tibães é sinônimo da tal cereja...
  

Michi Suzuki - Italians
Soraya Hocine - Youth To Be
Yiannos Demetriou - Soccer Mitrology

Maciej Dakowicz - Cardiff After Dark

Facing Youth é a locura

Ainda bem que Tibães é grande, senão onde seria o local que a organização/curadoria conseguia colocar tanta foto... Acho que cada um dos mais ou menos apreciadores de fotografia deve chegar ao final do primeiro corredor e já estar a ficar baralhado com o que viu e com o que ainda tem para ver... 
Vou destacar quatro portfolios dos vinte e cinco?! que lá estavam...


Michi Suzuki- Italians
Nem tanto pela temática, nem pelo registo. Embora pesa o facto de ser uma registo sobre o dupla nacionalidade ou melhor filhos de emigrantes, ou qualquer coisa do gênero entre o espirito da nação. Aqui gostei da montagem, a sala onde estava o projecto a forma de montagem do mesmo, mais do que qualquer imagem propriamente dita.

Soraya Hocine - Youth To Be
Um registo sobre um grupo de adolescentes que frequenta o skate-parque londrino de Camden Town. Não é um portfolio limpo, mas mistura o retrato trabalhado com imagens soltas de pura simbiose entre fotógrafo e objecto, acho que a força de ter parado mais dois minutos neste portfolio foi mesmo isso... 

Yiannos Demetriou - Soccer Mitrology
Eu não gosto da bola, mas este trabalho é de um momento da bola. Aquele em que está para acontecer o golo. Emoção ao máximo num registo forte, e as imagens conseguem traduzir isso mesmo. Adoro parar alguns minutos e ver... Começar a ver detalhes... E isso aconteceu-me com este portfolio... 

Maciej Dakowicz - Cardiff After Dark
Ora juventude e noite tem tudo a ver e parece que é esse o registo de Maciej Dakowicz. Retrata vários acontecimentos da noite de Cardiff, cidade do sul do País de Gales no Reino Unido. Talvez pela proximidade ao fotojornalismo, ou ao mais puro e real do momento, este portfolio que estava quase no final, foi mais um dos que retive a ver e a observar com um pouco mais de atenção.


Vários autores na Galeria Emergentes

A Galeria Emergentes, nova nesta edição mostra fotografias dos vários concorrentes ao prémio promovido pelos Encontros da Imagem e apoiado pela DST. Dá principal enfase aos trabalhos selecionados e ainda uma secção com os 60 candidatos pré-selecionados desta edição. A minha dúvida é ver neste conjunto trabalhos de gente reconhecida com exposições grandes a candidatarem-se ao premio como a Rosa Muñoz que tinha o portfolio candidato ao premio e cuja exposição era uma das principais na edição deste ano do Photo España.

Nota final: Este apontamento é um objecto pessoal de leitura e analise sobre os Encontros da Imagem. Não pretendo ser exaustivo e minucioso sobre o mesmo. Quero expressar o meu apreço pela excelente iniciativa que são os e.i. e a toda a equipa que faz a cada ano um evento único em Portugal. 

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Encontros da Imagem 2011

Na semana passada desloquei-me até Braga para visitar os Encontros da Imagem. O festival de fotografia mais antigo da Península Ibérica, criado em 1987. O certame festeja este ano a sua 21ª edição, demonstrando já uma sólida afirmação como evento de destaque para a fotografia tanto a nível Nacional como Internacional. Para esta edição estão representados 36 artistas, de várias nacionalidades, todos com um elo comum à temática social. “Novas Visões na fotografia social” foi o tema escolhido, tendo por base as constantes transformações sociais, políticas e económicas que se tem vindo a sofrer nos últimos tempos a nível global.
No Museu da Imagem encontra-se uma das exposições mais importantes. Stéphane C. apresenta “They Never Adopted the Name for Themselves”. Um trabalho sobre o poder imaginativo de quem o vê revelando um “combate espiritual e interior, anímico, fruto de uma dualidade e ambiguidade”. Sem uma referência temporal ou espacial, as fotografias contrastadas a preto e branco, ganham uma vitalidade pelo espaço que ocupam.
No percurso por mim realizado, segui para o Museu D. Diogo de Sousa, onde está a exposição do colectivo português Kameraphoto. A exposição que surgiu de um repto realizado aos fotógrafos deste colectivo português partiu de uma forma de registo à realidade nacional, criando uma pluralidade de olhares construindo uma narrativa visual sobre a memória colectiva. Não nego que a minha fasquia para esta exposição estava “alta” e saí dela super satisfeito, o colectivo merece o reconhecimento que lhes tem sido feito. A exposição tem uma qualidade muito acima da média, quer pelo lado estético quer pelo lado técnico. Comparável com a exposição “El puder de la duda”que estava presente no ICO da Photoespaña, esta exposição não é um mero conjunto de imagens bonitas, mas uma provocação pelos valores actuais da nossa sociedade.
O trabalho da Marina del MAR (que se encontra na Casa dos Crivos) foi outras das grandes surpresas. Ela documenta com precisão os conteúdos do quotidiano festivo de Almeria. É um trabalho dirigido às pessoas da festa e não aos acontecimentos que fazem parte dela. Uma visão sobre o ambiente levado a um lado mais humano através do “retrato” minucioso sobre o detalhe de uma festa. ”Um mundo feliz”, titulo escolhido para esta exposição, enquadra-se na perfeição no registo social, temática que envolve esta edição dos Encontros da Imagem!
Quando em Junho passado comecei a receber informações sobre esta edição dos Encontros da Imagem, fiquei logo curioso com o trabalho do Irlandês Dragan Tomas. Consultei a página do artista e encontrei o “Leaving the Road”. O portfolio exprime uma profunda paixão pela comunidade de Irish Travellers, que vivem em part-time no lado norte da cidade de Cork, na Irlanda do Sul. A leveza do trabalho é de uma mestria sublime. A exposição está presente num espaço multifunções, onde para além de galeria encontra-se um salão cabeleireiro muito alternativo de nome Pedro Remy. Tornando esta exposição mais um “must see” destes Encontros da Imagem.
O Brasileiro Pedro Stephan apresentou na galeria Show Me um trabalho muito curioso sobre “Luana Muniz, a rainha da Lapa”. Um registo intimista sobre o mundo trangêneros. Para além de inovador pela temática muito pouco abordada no meio fotográfico, a exposição destaca-se pela forma como se apresenta na galeria.
A parte final do percurso foi dedicada ao Mosteiro de Tibães. Já referi por diversas vezes que é um local fantástico para acolher as exposições. Este ano não é excepção. Na sala de entrada do Mosteiro está a exposição “New Life | New Document”. Uma visão de vários fotógrafos sobre a vida quotidiana de países de leste, demonstrando uma pequena fracção das tendências contemporâneas da fotografia documental Checa, Húngara, Polaca e Eslovaca. Aqui o escriba chegou a confundir algumas das fotografias com o trabalho do mestre Martin Parr, de tal forma se fazia notar a brilhante qualidade dos trabalhos expostos.
Por vezes os acasos são bons! Estou a referir-me ao Mexicano Óscar Fernando, que começou na fotografia quase por brincadeira e que mostra pela primeira vez fora do México um trabalho fabuloso, sobre um ponto de vista do seu local de trabalho – o táxi, que conduz em Montrey. Uma visão particular e apaixonada sobre a cidade e arredores, relatados de uma sensibilidade que quem está envolvido com a arte de uma forma mais liberal e despojada de uma forte tendência estética ou técnica.
Para terminar a visita, estava colocado um grande painel com as setenta propostas concorrentes ao prémio Emergentes DST. Numa iniciativa colectiva entre os Encontros da Imagem e a DST que visa premiar um portfolio, ficando automaticamente seleccionado a integrar a próxima edição do festival.
Se gosta de fotografia recomendo uma visita até finais de Outubro a Braga à 21ª edição destes Encontros. Mais informações em http://encontrosdaimagem.com

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Encontros da Imagem 2011 em Braga



“Novas Visões na fotografia social” é a temática apresentada para esta edição que vai decorrer em treze espaços da cidade de Braga de 16 de Setembro a 30 de Outubro e conta ainda com leitura de portfolios, mesas redondas e workshops.

A crise em Portugal e as transformações nos países de Leste, após a queda do Muro de Berlim, ocupam um lugar central na vigésima primeira edição dos Encontros da Imagem de Braga. O colectivo [KameraPhoto] estará representado no Museu D. Diogo de Sousa com uma retrospectiva sobre o estado social e politico português representado através do olhar dos treze fotógrafos que constituem este colectivo nascido em 2003. “New life | New Document”, comissariada por Vladimir Birgus, director da Universidade de Opava, na República Checa, apresenta uma visão dos países de Leste após a queda do Muro de Berlim. Será uma mostra colectiva com cerca de oitenta imagens de vinte e um autores, ocupará um dos espaços de maior relevo e dimensão da mostra - a sala do Recibo do Mosteiro de Tibães. Ainda se destaca “Things here and things to come”, um portfolio de José Pedro Cortes realizado em Telavive sobre quatro jovens judias americanas que desejam regressar a Israel com a finalidade de cumprir o serviço militar. Ainda a destacar o trabalho de Dragan Thomas que estará representado com “Nomads” no Museu da Imagem.

Encontra-se a decorrer a fase de inscrição para o prémio de fotografia “Emergentes DST” uma iniciativa da empresa Domingos Silva Teixeira, em parceria com os Encontros da Imagem, visando premiar o melhor portfolio de fotografia contemporânea 2011. Este prémio é atribuído através da Leitura Critica de Portfolios oferecendo aos fotógrafos a oportunidade de apresentarem o seu trabalho a comissários, galeristas e editores especializados, constituindo um meio de promoção internacional da sua obra.

Mais informações em: http://www.encontrosdaimagem.com